Folar de Flores Recheadas [Chocolate, Avelãs e Canela]
19:07
Corre o Abril e o mês vai tão embalado. O plano era vir até aqui deixar-vos uma receita mais cedo, mas não consegui.
Tenho aproveitado os dias bonitos para aligeirar as refeições cá de casa e fazer alguns passeios a pé, e basta-me acreditar que estou no bom caminho, porque sinto que é para continuar. Até porque este mês, conto com pelo menos três celebrações a que não posso fechar a boca, quando penso nisso... Ah, e a Páscoa que está já ali ao virar da esquina, já se deram conta? Verdadeiras provas de fogo para quem como eu, aprecia os prazeres da boa mesa.
Hoje trago-vos o folar das flores. Rima com a Primavera e com a Páscoa, e é também o preferido dos meus filhos. Costumo pegar na receita base e fazer algumas alterações ao recheio original. Reduzi a quantidade de margarina no interior das flores, não fica seco e continua macio, preferimos assim. Também troquei o mel por geleia de arroz, juntei avelãs ligeiramente torradas e gotas de chocolate. Desta vez não adicionei erva-doce à massa. Resumidamente foram as alterações feitas este ano. Correu bem, aliás acho que esta receita pouco ou nada tem para falhar, é repetida ano após ano, com o entusiasmo de sempre.
A Bimby misturou e amassou, e as mãos levaram o carinho à massa. Rechearam, desenharam e juntaram as flores. É fácil de preparar, visualmente é muito bonito e fica com um miolo guloso e fofinho. Experimentem e logo me contam!
Aproveito para vos desejar uma Páscoa muito docinha e feliz 🐣
Folar de Flores Recheadas [Chocolate, Avelãs e Canela]
Ingredientes para a massa:
550 g de farinha de trigo
15 g aprox. de fermento fresco (ou cerca 7 g do biológico seco)
sumo de 1 laranja
70 ml de leite amornado
30 ml de aguardente
30 g de banha amolecida
70 g de margarina amolecida
1 ovo
1 colher de sopa de geleia de arroz (podem usar mel)
1 colher de sobremesa de canela em pó
1 pitada de sal
Ingredientes para o recheio das flores:
100 g de gotas de chocolate negro (usei da Vahiné)
50 gramas de avelãs tostadas e cortadas grosseiramente
açúcar amarelo e canela q.b.
geleia de arroz q.b. (podem usar mel)
Se quiserem amassar na Bimby:
Dilua o fermento no leite amornado.
Coloque todos os ingredientes da massa no copo da bimby com excepção da farinha.
Programe 2 minutos à temperatura de 37 º C à Velocidade 4
Junte a farinha e programe 20 segundos à velocidade 5/6
Por ultimo programe mais 6 minutos Velocidade espiga
⇒De seguida proceda à montagem do folar*
Método tradicional :
Coloque a farinha e o sal num recipiente fundo e abra uma cavidade no centro. Desfaça o fermento no leite morno e coloque-o nessa cavidade. Junte o açúcar, a canela, as gorduras, o ovo, o sumo de laranja e a aguardente. Retire a farinha da periferia para o centro e amasse muito bem até obter uma massa macia. Coloque-a num recipiente, cubra com um pano e deixe levedar até dobrar o volume.
A montagem do folar*
Retire a massa para uma superfície enfarinhada e divida-a em 8 a 10 porções do mesmo peso (consoante o tamanho pretendido).
Pincele as flores com um pouco de margarina amolecida, polvilhe com um pouco da mistura de açúcar e canela, e leve ao forno pré-aquecido a 190 º C durante aproximadamente 30 a 35 minutos, dependendo dos fornos. Desenforme depois de frio.
Estique uma de cada vez com ajuda do rolo (deverá ficar bem fina) até obter rectângulos (aproximadamente 8 x 24cm). Pincele com um pouco de margarina derretida, polvilhe com um pouco da mistura de canela e açúcar, distribua as avelãs partidas grosseiramente e as gotas de chocolate . Por fim regue com a geleia de arroz ou com o mel (1 colher de sopa cheia) e enrole como se fosse uma torta. Proceda da mesma forma com as restantes porções de massa.
Numa forma redonda (21cm) forrada com papel vegetal e untada com manteiga, disponha de uma flor ao centro (fiz uma maior para o centro) e as restantes em volta. Deixe algum espaço entre elas para que possam crescer no segundo processo de levedação.
Tape a forma com um pano e deixe levedar de novo até dobrar o volume.
Se verificar que o topo começa a queimar cubra a forma com papel de alumínio.
retire do forno e ainda quente pincele a superfície com um pouco de geleia de arroz ou em alternativa um pouco de mel.


Tiborna de Bacalhau
17:08
Um prato típico português que adoro. Feito com três ingredientes que nunca podem faltar nesta cozinha: pão, azeite e alhos. Juntam-se à festa o bacalhau e as couves e a tiborna está feita. É um petisco bastante recorrente por estes lados.
Costumo ter sempre broa congelada, mas na falta desta já tenho improvisado com pão de centeio e fica muito bem.
Podem preparar este prato com as partes menos nobres do bacalhau, embora eu prefira utilizar lombos por lascarem melhor e serem mais suculentos que tornam o prato ainda mais apetitoso. A hortaliça a utilizar para a confecção deste fica também ao vosso critério, costuma-se juntar grelos ou couve-portuguesa, é como vos der mais jeito e gostarem.
Tiborna de Bacalhau
Ingredientes:
(3 a 4 pessoas)
1 broa de milho pequena de preferência com 2 ou 3 dias
1 couve-lombarda, grelos ou outra couve a gosto
1 cenoura em rodelas, só se gostarem (opcional)
dentes de alho q.b.
sal e pimenta q.b.
Método:
Descongele o bacalhau, deixe escorrer e enxugue bem.
Pincele as postas de bacalhau dos dois lados e leve-as a grelhar. Reserve.
Entretanto leve ao lume um tacho com um fio de azeite, quando este aquecer junte a couve-lombarda previamente lavada e cortada grosseiramente com as mãos. Adicione um pouco de sal, tape e espere uns 5 minutos até que perca volume e fique cozinhada. Se optar por juntar a cenoura deve fazê-lo também por esta altura e cozinhar junto com a couve. Reserve.
Corte a broa em fatias. Frite-a numa frigideira com um fio de azeite e dois dentes de alho (com casca) ligeiramente esmagados com a ponta da faca. Reserve para um prato.
Pique 4 dentes de alho finamente, junte-os a um generoso fio de azeite e aqueça até que o azeite tome o gosto destes, cuidado para não deixar queimar os alhos. Desligue o lume e reserve.
Prepare a assadeira onde vai servir a tiborna. Lasque o bacalhau e disponha-o em camadas alternadas com a couve e a broa. Regue tudo com o azeite reservado. Finalize com um pouco de pimenta moída na altura. Sirva de imediato.
Bom apetite! 😋
Bolo de Limão com Calda de Açúcar
10:21
Outro bolinho de citrinos neste fim de inverno pois então!
No dia em que o fiz lembrei-me de lhe juntar uma calda, é fácil de preparar e deu-lhe uma humidade e sabor muito interessantes (isto de ser guloso tem muito que se lhe diga!). Mas não se preocupem porque não fica muito doce, tive o cuidado de reduzir um pouco as quantidades de açúcar da massa. Se decidirem não fazer a calda, até vos dou por sugestão colocarem mais um pouco de açúcar amarelo na massa, tipo, mais 3 colheres de sopa de açúcar serão suficientes.
Depois é fazer um chá a gosto e apreciar todos os aromas!
Bolo de Limão com Calda de Açúcar
Ingredientes:
Raspa e sumo se 1 limão
6 ovos
150 g de açúcar em pó
30 g de açúcar amarelo
200 g de farinha com fermento
1 colher de chá de fermento para bolos
50 g de margarina derretida
+ margarina q.b. para untar a forma
Método:
Pré-aqueça o forno nos 190ºC.
Raspe o limão. Esprema o sumo e misture-o com a raspa. Reserve.
Bata as claras em castelo, junte-lhes o açúcar em pó e envolva bem.Adicione o outro o açúcar amarelo e continue a mexer até se misturar bem.
Junte as gemas uma a uma, batendo sempre, faça o mesmo com a farinha (previamente peneirada com o fermento) e a mistura da raspa e sumo do limão, intercalando. Envolva suavemente e junte a margarina derretida em fio.
Unte muito bem uma forma de bolos e verta para lá a massa. Leve ao forno pré-aquecido cerca de 35 minutos ou até verificar que está cozido. Faça o teste do palito.
Desenforme e deixe arrefecer. Faça uns furinhos com um palito no bolo para este absorver melhor a calda.
Entretanto prepare a calda para aplicar na superfície do bolo se gostar.
Para a calda de açúcar :
100 g de açúcar
200 ml de água
casca de 1/2 limão
1 pau de canela
1 estrela de anis
Leve a lume médio um tachinho com a água, o açúcar, a casca do limão, pau de canela e estrela de anis. Sem mexer, deixe ao lume cerca de 10 minutos. Retire do lume e deixe arrefecer antes de regar o bolo.
Bom fim de semana a todos! 💗
Sopa de Miso Enriquecida com Vegetais e Tofu
17:01
Hoje trago-vos uma sopa que gosto muito, a sopa de miso. Certamente alguns de vós já ouviram falar e já tiveram oportunidade de a provar. É frequente este caldo ser servido nos restaurantes Japoneses no inicio da refeição. É delicioso e do mais simples que há de preparar. Aprendi a fazer as minhas primeiras sopas de miso com a Marta Horta Varatojo.
Para quem não conhece o miso, basicamente é pasta de soja fermentada de textura amanteigada. Pode apresentar-se simples, apenas de soja ou com cereais, os meus preferidos são com arroz e cevada. Esta pasta tem um alto teor de sal, é muito versátil e utilizada na culinária Asiática como condimento dos pratos, caldos e sopas. Daí não usarmos sal quando o juntamos aos cozinhados e a adição deve ser sempre com conta, peso e medida.
O sua riqueza nutricional é fascinante, conhecido como o condimento da longevidade, é um dos alimentos mais ricos da soja, com grande capacidade de desintoxicar, ajuda na prevenção de algumas doenças bem conhecidas de todos nós.
Para quem tiver curiosidade, no fim do post deixo um pouco mais sobre este alimento, texto da Marta Varatojo.
Sendo um produto fermentado é rico em enzimas, quando o utilizamos devemos ter particular atenção às temperaturas a que o submetemos, não deve ser fervido para não destruirmos as suas propriedades.
Pode ser servido apenas em caldo ou enriquecido com vegetais como foi o caso de hoje. Juntei também ao caldo uns cubinhos de tofu fumado, deu-lhe um toque especial. Já fiz outras versões em que lhe juntei massa de arroz, e fica também muito interessante com quinoa. Na altura de servir adiciono cebolinho ou folhas de coentros para lhe conferir uma certa frescura.
Sopa de Miso enriquecida com Vegetais e Tofu
Ingredientes:
(4 taças , 1 litro de caldo)
usei alho-francês, cenoura, alga
wakamé, rebentos de soja, (vegetais a gosto)
2 colheres de sopa de pasta de miso (ajustem depois se necessário)
cubinhos de tofu fumado (opcional)
um pedacinho de gengibre
1 litro de água
cebolinho e coentros
Método:
Começamos por cortar o alho-francês em rodelas muito finas e a cenoura em tirinhas . Colocamos um tacho ao lume com a quantidade de água que referi (p/ 1 litro de caldo) e juntamos a cenoura e o alho-francês, assim que comecem a ficar macios, quase no ponto, adicionamos os rebentos de soja e os cubinhos de tofu. Entretanto e enquanto os nossos legumes cozem, hidratamos durante cerca 10 minutos a alga wakamé dentro de uma tacinha com um pouco de água. Esprememos e picamos grosseiramente. Juntamos ao caldo, aproveitando a água onde esteve a hidratar. Baixamos o lume para o mínimo.
Nesta altura retiramos uma concha do caldo para uma taça e dissolvemos o miso suavemente. Juntamos ao tacho mexemos e não deixamos que ferva, apagamos o lume após 1 minuto. Ralamos um pedacinho de gengibre e juntamos o sumo directamente da polpa para dentro do caldo.
Colocamos em taças, polvilhamos com folhas de coentros e cebolinho picado e servimos de imediato.

O Miso ou pasta de soja foi inventado na China há mais de 2500 anos e é provavelmente o mais rico e especial de todos os alimentos derivados da soja. É produzido combinando a soja cozinhada com cereais e sal e inoculando a mistura com koji (um bolor com o nome científico de Aspergillus Oryzae), deixando depois fermentar durante 6 meses a 2 anos ou mais.
Apesar de haver muitos tipos diferentes de Miso, os mais usuais são Miso de Cevada (Mugi miso), Miso de Soja (Hatcho Miso). Miso de Arroz Branco (Kome Miso) e Miso de Arroz Integral (Genmai Miso)
Os japoneses dizem que o miso foi um presente dos deuses para a Humanidade. Este alimento é excelente para desintoxicar e ajudar o organismo a eliminar efeitos nocivos da poluição ambiental e de detritos radioactivos.
O miso é o melhor alimento de origem vegetal para ajudar a recriar a flora intestinal e criar um sistema digestivo saudável.
A forma mais usual de o utilizar é em sopa – a já famosa sopa de miso – mas poderá também ser utilizado para temperar pratos de vegetais ou para confeccionar molhos ou pastas.
Legumes na Frigideira com Bacalhau Fresco
10:41
Fico satisfeita quando os pratos surgem de improviso e me deixam com vontade de os repetir outras vezes. Incluir legumes e peixe no mesmo prato e o facto de serem aceites por todos deixa-me feliz. Ando cada vez mais empenhada em trazer estas refeições para o nosso dia-a-dia.
Utilizei bacalhau desfiado fresco da Pescanova, já vem no ponto de sal, não apresenta peles nem espinhas, o que é um descanso sobretudo para quem tem crianças. A textura e sabor também são diferentes do tradicional bacalhau (salgado) a que estamos habituados.
Aqui fica uma sugestão leve e cheia de sabor, trocando um bocadinho as voltas à rotina dos hidratos de carbono.
Legumes na frigideira com Bacalhau Fresco
Ingredientes:
(4 pessoas)
1 couve-coração cortada em juliana
3 alhos-franceses cortados em rodelas finas
3 cenouras ripadas
1/2 sopa de cebola
alhos picados q.b.
azeite q.b.
pimenta moída na altura q.b.
noz-moscada q.b.
1/2 colher de chá de funcho (opcional)
folhas de salsa ou coentros se gostarem para finalizar os pratos
Método:
Descongele o bacalhau. Escorra bem.
Ponha ao lume uma frigideira com um fio de azeite e os alhos picados, espere que aqueça para tomar o gosto dos alhos e junte o bacalhau. Deixe ao lume médio/alto uns cinco minutos mexendo 2 a 3 vezes. Desligue e reserve.
Lave e arranje os legumes.
Ponha ao lume um tacho ou uma frigideira, com um generoso fio de azeite e os alhos picados. Assim que estiver quente (cuidado para não deixar queimar os alhos) junte os legumes e por cima verta o 1/2 pacote da sopa de cebola. Tempere também com um pouco de pimenta e noz-moscada. Envolva e tape, deixe cozinhar por uns 5 minutos até que os legumes percam volume e fiquem macios. Nesta altura junte o bacalhau reservado, junte uma pitada de funcho e mexa. Prove e corrija os temperos se for caso disso.
Desligue o lume passados 4 a 5 minutos. Se gostar polvilhe com folhas de salsa ou coentros. Sirva de imediato.
Bolo de Azeite da Beira Baixa
16:19
Se me perguntassem em que estação do ano melhor aprecio este bolo, arriscaria dizer que é de Inverno. Já o fiz outras vezes, e é engraçado notar que chega sempre à mesa cá de casa em meados de Fevereiro, penso que por culpa dos seus ingredientes. De cor e paladar intensos, assegurados pelo açúcar mascavado, mel, azeite e especiarias, fazem dele um bolo cheio de personalidade e muito saboroso. Uma óptima companhia para um chá bem quentinho e dois dedos de conversa.
Bolo de Azeite da Beira Baixa
(adaptado do livro "A Bimby na Cozinha Regional Portuguesa)
Ingredientes:
1 laranja (sumo e raspa da casca)
6 ovos
160 g de açúcar mascavado
100 g de mel
120 ml de azeite suave (usei Oliveira da Serra)
1 colher de chá de canela (Margão)
1/2 colher de café de noz-moscada (Margão)
1 pitada de cravinho moído (Margão)
200 g de farinha de trigo com fermento
70 g de farinha Maizena
margarina para untar a forma + farinha para polvilhar
Método:
Bata os ovos com o açúcar até obter uma mistura homogénea e fofa.
Continuando a bater, adicione em fio o mel, o azeite, o sumo e a raspa da laranja. Junte também a canela, a noz-moscada e o cravinho, misture bem todos os ingredientes batendo por mais uns instantes. Por último adicione as farinhas peneiradas com o fermento e bata até a massa começar a fazer bolhas.
Pré-aqueça o forno a 180º C, deite o preparado numa forma untada com margarina e polvilhada com farinha e deixe cozer por 35 minutos, faça o teste do palito. Não se esqueça dele no forno, é importante que o miolo não fique demasiado seco.